Mais uma lua cheia e mais um bocado de coisas vividas.
Depois de umas 20 horas de viagem de carro apertado e muitos quilômetros rodados, chego em Brasília... assim... aqui. A lua veio nos acompanhando e clareando a estrada toda e quando chegou sua hora veio o sol... lindo e cheio de si.
Foi desses momentos em que você pensa como é gostoso viajar. De um lado a lua ainda cheia e ainda dona do céu, do outro lado o sol nascendo ainda frio. Na frente a estrada... reta... cheia de
curvas... só minha, só nossa. Sem sono, sem fome e sem canseira.
Fui para Itaúnas/ES. "Uma terrinha muito boa onde há muitas pessoas em que se pode confiar, quando estou lá parece que o mundo pára, não existe nem relógio para o tempo controlar".
A Vila de Itaúnas, antes (muito antes), era na beira do mar, mas as dunas engoliram a vila. Agora temos de andar um bocado e ainda atravessar as dunas até chegar na praia, protegida por muita muita areia. Haja pernas. Mas todo brasiliense sabe aproveitar uma boa praia... também não é pra menos... viajar tanto só pelo gostinho da água salgada! Vale a pena. Praia gostosa, comprida, bonita e regada de muito forró.
Mas cuidado aos que forem para lá em julho! Alto risco de overdose de forró! Nossa... a cidade não desliga! Dia 23/07 começou o Festival Nacional de Forró, em sua sétima edição, e, depois desse
dia, não se sabe o que é silêncio em Itaúnas. O Festival terminou no dia 29/07.
Falar não adianta... (e eu também estou com um pouco de preguiça.. hehe) tem que ir lá pra entender o que estou dizendo. Forró madrugada adentro, forró na ponte com os primeiros raios do sol, forró na padaria com o sol de meio-dia, forró na praia até a chegada da lua, forró pra esquentar pra mais uma madrugada de forró e por aí vai. Mas nada que uma mpb só na voz e violão nos cantinhos da vila não resolva pra dar uma folga aos ouvidos. Eee delícia.
Foi meio canseira essa viagem, canseira dos pensamentos, das idéias, da cabeça... o corpo dormiu até demais. Mas momentos totalmente recompensadores é que realmente ficam na memória.
Enfrentar vento sul, vento norte pra curtir uma praia linda. Subir no pique uma duna enorme e dar de cara com um pôr-do-sol maravilhoso... de tirar o folêgo (mais do que a subida da duna).
Sentar na varanda, sozinha numa cidade lotada, e respirar e ver-se fraca mas sentir-se forte. Conhecer pessoas que fazem os poucos minutos que passamos com elas serem alegres. Conhecer as pessoas com as quais passamos muitos minutos. Buscar refúgio no céu...estrelado, laranjado, roxo, azulzinho... e achar. Se despedir da terrinha muito boa com a lua cheia se olhando no rio.
Agora... de volta a minha querida Brasília, mas meu eu, ou seja lá o que for, parece estar longe daqui e eu não sei onde encontrá-lo.
(comecei a escrever quando a lua estava cheia... termino agora que ela já está mais magricela mas nunca vazia.)